terça-feira, 15 de setembro de 2009

Piano Contemporâneo em Pelotas com Martine Joste (FRA)

terça-feira, 15 de setembro de 2009 0

Na noite do dia 12 de setembro, graças ao NUMC (Núcleo de Música Contemporânea do Conservatório de Música da UFPEL), pudemos assistir, no Salão Milton de Lemos, o excelente desempenho de Martine Joste, uma das intérpretes mais importantes da música do nosso tempo.


A pianista francesa abriu o recital com a peça In the Name of the Holocaust, do norte-americano John Cage, arrancando aplausos do público pelotense, que quase nunca tem oportunidade de contato com a música contemporânea.


Esta obra de Cage é para "piano preparado", técnica que começou a ser utilizada em 1940, por ocasião de uma encomenda musical de Syvilla Fort para acompanhamento de uma coreografia baseada em motivos africanos. Seu inventor, John Cage, trabalhava na ocasião na Cornish School, em Seattle, e a coreografia em questão chamava-se Bacchanale. Surgiu porém, uma complicação: não havia no palco da Repertory Playhouse espaço suficiente nas coxias para posicionar os instrumentos de percussão e foi oferecido a Cage apenas um piano de cauda como instrumento para realizar o acompanhamento. Diante de tal situação Cage optou por usar o piano de uma maneira mais alternativa, tocando diretamente nas cordas do piano, colocando objetos sobre as cordas (que se mostraram inconvenientes pois mudavam de posição na medida em que se tocava a música), usando fragmentos de vedante de janela (weather stripping), parafusos e outros objetos.


Ao longo da noite, Martine impressionou a todos com detalhes precisos de dinâmica e sentimentalismo ao interpretar obras do argentino Maurizio Kagel (1931-2008), do grego Iannis Xenakis (1922-2001), do francês Alain Bancquart (1934) (estreia nacional da Deuxième Sonate, composta em 2006) e do húngaro Kurtag (1926), que normalmente os pianistas executam de forma mais automatizada, levando mais em conta o fator mecânico dessas peças.


A pianista finalizou com A Little Suite for Christmas, de George Crumb (1929), pai do compositor David Crumb (1962). O público, ansioso por ouvir mais, aplaudiu de pé, e a artista só deixou o palco depois de dar um bis.


Martine saiu de Pelotas deixando todos que participaram de sua palestra sobre piano expandido na sexta-feira, dia 11, ou que puderam ouvi-la no sábado, dia 12, com uma imensa vontade de ouvir e pesquisar mais sobre o tema.


As palavras dela no autógrafo que eu pedi, demonstram sua vontade de voltar a Pelotas talvez ano que vem: "A Maurício, un souvenir de ma première venue dans Pelotas".


VAMOS TORCER!

sábado, 5 de setembro de 2009

Inaugurando o blog com Luciano Berio

sábado, 5 de setembro de 2009 0
Luciano Berio (Oneglia, 24 de Outubro de 1925 - Roma, 27 de Maio de 2003) (29 obras publicadas) compositor italiano do período do vanguardismo, é considerado um dos mais importantes do séc. 20, destacando-se, sobretudo, no domínio da música experimental. A maior (e mais importante) parte de seu acervo é constituída de obras que utilizam a voz como instrumento principal, utilizando-se de grandes corais, vários ou poucos solistas, e até de distorções eletrônicas do canto. Berio buscava a extração máxima das possibilidades da voz, utilizava em suas obras todas as técnicas de canto conhecidas, acrescendo às partituras sons a serem produzidos pelos cantores que não eram propriamente "cantados", como assovios, diálogos ou estalos com a língua e lábios.

Nascido numa familia de musicos, Berio aprendeu piano e harmonia com o pai. Em 1944, uma lesão na mão sofrida em seu primeiro dia no exército pôs fim à sua carreira militar e às suas esperanças de vir a ser um pianista. Enquanto estudava composição em Milão, conheceu a primeira mulher, a soprano americana Cathy Berberian. Passou os anos 60 ensinando nos EUA. Depois de romper um segundo casamento, voltou à Itália, desenvolveu um interesse pela musica folclórica siciliana e trabalhou com escritores e amigos como Umberto Eco, Edoardo Sanguinetti e Italo Calvino. Seu último casamento, com a musicóloga israelense Talia Packer, reflete-se em suas obras sobre temas judaicos.

Sua Sinfonia, para orquestra e oito cantores solistas, é uma de suas obras de maior importância (sendo considerada por muitos sua obra-prima). Com essa obra, Berio mostrou que é possível inovar baseando-se em formas musicais já bastante ultrapassadas, como é caso da sinfonia no final do século XX.


As Sequenza são uma série de obras para instrumentos solo que exploraram novas possibilidades técnicas e sonoras dos instrumentos.

Sequenza I para flauta (1958); Sequenza II para harpa (1963); Sequenza III para voz feminina (1965); Sequenza IV for piano (1966); Sequenza V para trombone (1965); Sequenza VI para viola (1967); Sequenza VII para oboé (1969); Sequenza VIIb para saxofone soprano (1993); Sequenza VIII para violino (1976); Sequenza IX para clarineta (1980); Sequenza IXb para saxofone alto(1981); Sequenza IXc para clarone(1980); Sequenza X para trombone em dó e piano - “ressonância” (1984); Sequenza XI para violão (1987-88); Sequenza XII para fagote (1995); Sequenza XIII para acordeão “Chanson” (1995); Sequenza XIV para violoncelo (2002); Sequenza XIVb para contrabaixo (2004).



MARCOS

1955 - Cria o primeiro estúdio italiano para música eletroacústica.
1958 - Começa Sequenza, série de solos instrumentais.
1969 - Sinfonia confirma sua reputação global.
1973 - Começa Points on the Curve to Find.
1974 - Dirige pesquisa no estúdio Ircam em Paris, até 1980.
1975 - Junta-se à Orquestra de Câmara de Israel.
1980 - Trabalha em óperas com Italo Calvino.
1984 - Compõe Voci: Folksongs II.

_________________________________________________________


Neste link do 4shared vc encontra algumas partituras de Luciano Berio (como por exemplo Sinfonia e Sequenza)

http://www.4shared.com/u/rpmtrtp/23d3eec/pharux.html
 
The Great Music ◄Design by Pocket, BlogBulk Blogger Templates ► Distribuído por Templates